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Cólicas no bebê: o que a mãe deve evitar na alimentação?

20 de agosto de 2026 7 min de leitura Por Grão de Gente

A relação entre a amamentação e as cólicas do recém-nascido

A chegada de um recém-nascido transforma completamente a rotina da casa. Entre tantas novidades, um dos momentos mais desafiadores para os pais de primeira viagem é o choro inconsolável do pequeno, que muitas vezes indica a presença das temidas cólicas. Na busca por alívio, é muito comum que a família comece a questionar a rotina da casa, os hábitos de sono e, principalmente, a alimentação da mãe que amamenta.

Aqui na Grão de Gente, com mais de 12 anos acompanhando a jornada de milhares de famílias desde a montagem do quarto até os cuidados do dia a dia, sabemos que o pós-parto é um período de muitas dúvidas. Se você ainda está na fase de planejamento e acompanhando a sua gravidez semana a semana, ou se já usou a nossa calculadora de gravidez e hoje está com o seu pacotinho de amor nos braços, este guia prático vai trazer clareza sobre o que de fato colocar no prato durante o período de aleitamento materno.

A primeira informação que conforta o coração dos pais é que a cólica do lactente é um processo fisiológico esperado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o sistema digestivo do bebê ainda é imaturo nos primeiros meses de vida. Isso significa que as paredes do intestino contraem e relaxam de forma desordenada, o que pode causar desconforto independentemente do que a mãe consome. No entanto, a dieta materna pode, sim, influenciar a digestão do bebê em alguns cenários específicos, tornando essencial entender quais alimentos merecem atenção.

Cólicas no bebê: o que a mãe deve evitar na alimentação?

Não existe uma regra única ou uma lista de alimentos proibidos para todas as lactantes, pois cada binômio mãe-bebê é único. Contudo, a observação prática e algumas evidências clínicas sugerem que moderar ou evitar temporariamente certos grupos alimentares pode ajudar a reduzir os episódios de desconforto no bebê. Veja abaixo os principais alimentos que costumam ser associados às cólicas:

1. Leite de vaca e derivados

Este é o principal vilão apontado em consultórios de pediatria quando o bebê apresenta cólicas severas ou persistentes. A proteína do leite de vaca (como a caseína e as proteínas do soro) ingerida pela mãe pode passar em pequenas quantidades para o leite materno. Como o intestino do bebê ainda é muito permeável, essas proteínas podem causar uma reação inflamatória ou irritação local, resultando em gases intensos, cólicas e, em casos mais graves descritos pela literatura médica, a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV).

Se você suspeitar que o consumo de queijos, iogurtes, manteiga e leite está prejudicando o bebê, converse com o pediatra para avaliar a necessidade de uma dieta de exclusão assistida.

2. Excesso de cafeína

O cafezinho passado na hora é o melhor amigo da mãe cansada após uma noite em claro, mas o excesso de cafeína pode ser prejudicial. A cafeína passa para o leite materno e, por ser um estimulante, pode deixar o bebê irritado, agitado e com dificuldade para relaxar. Um bebê tenso e que chora muito tende a engolir mais ar (aerofagia), o que aumenta a formação de gases e piora as dores abdominais. Além do café, fique atenta ao consumo de refrigerantes de cola, chá preto, chá mate e energéticos.

3. Chocolate e doces concentrados

O chocolate combina dois fatores de alerta: a presença da cafeína (e teobromina, outro estimulante) e, na maioria das versões comerciais, uma grande quantidade de leite de vaca e açúcar refinado. O açúcar em excesso na dieta materna pode alterar a fermentação intestinal da própria mãe e, consequentemente, afetar indiretamente o bem-estar do bebê. Consumir com moderação e optar por versões com maior teor de cacau e sem leite pode ser uma alternativa viável.

4. Alimentos muito condimentados e ultraprocessados

Comidas excessivamente temperadas com pimenta, temperos prontos industrializados, excesso de alho ou cebola crua podem alterar o sabor do leite materno e irritar o trato gastrointestinal sensível do recém-nascido. Além disso, os alimentos ultraprocessados contêm aditivos químicos, conservantes e corantes que não trazem benefícios nutricionais e podem colaborar para um processo inflamatório sutil no organismo da mãe, repercutindo na qualidade da amamentação.

5. Alimentos fermentativos (com ressalvas)

Existe um mito antigo de que alimentos que causam gases na mãe — como feijão, repolho, brócolis, couve-flor e batata-doce — passam os gases diretamente para o leite. Cientificamente, os gases maternos são produzidos pela fermentação da fibra no intestino da mãe e não entram na corrente sanguínea, logo, não entram no leite materno. No entanto, esses alimentos contêm carboidratos complexos que, se consumidos em excesso, podem alterar o trânsito intestinal e a microbiota da mãe. Uma digestão materna lenta ou desconfortável pode gerar estresse, o que afeta a dinâmica da amamentação. A dica é consumir esses alimentos cozidos e, no caso das leguminosas, fazer o remolho (deixar o feijão de molho por 12 a 24 horas trocando a água) para reduzir os fitatos que causam má digestão.

Como organizar a rotina alimentar durante a amamentação

Em vez de focar apenas em restrições extremas, o Ministério da Saúde recomenda que a puérpera mantenha uma alimentação colorida, variada e o mais natural possível. Restringir severamente o cardápio sem orientação profissional pode levar a mãe à fadiga extrema e a deficiências nutricionais, prejudicando sua própria saúde e a produção de leite.

Para manter o equilíbrio, priorize:

  • Hidratação constante: Beba água sempre que amamentar. A água é o principal componente do leite materno.
  • Comida de verdade: Frutas frescas, legumes cozidos, carnes magras, tubérculos e grãos bem preparados.
  • Diário alimentar: Se notar que o bebê chora mais em dias específicos, anote o que você comeu nas últimas 12 a 24 horas. Isso ajuda a identificar padrões sem precisar cortar grupos alimentares inteiros de forma preventiva.

Dicas práticas para aliviar as cólicas no dia a dia

Além de observar a alimentação, o acolhimento físico é a ferramenta mais poderosa para acalmar o bebê durante as crises de cólica. Criar um ambiente sereno no quarto do bebê ajuda a diminuir os estímulos externos que irritam a criança.

Experimente colocar o pequeno em um ambiente confortável, deitando-o sobre um lençol macio e limpo, de preferência em tecidos naturais como o algodão, para evitar que o calor excessivo aumente o estresse. Segurar o bebê no colo, pele a pele, ou apoiá-lo de forma segura usando uma almofada quarto de bebê para dar suporte aos seus braços, ajuda a transmitir segurança e calor corporal, relaxando a musculatura abdominal do pequeno.

Massagens suaves na barriguinha (como o movimento de "pedalar" com as perninhas e movimentos circulares no sentido horário) e banhos mornos de imersão também são excelentes alternativas para aliviar o acúmulo de gases e acalmar o choro.

Perguntas frequentes

O feijão comido pela mãe realmente causa cólica no bebê?

Não diretamente. Os gases do feijão são gerados pela fermentação das fibras no intestino da mãe e não passam para o leite materno. Contudo, se a mãe tiver sensibilidade digestiva ao feijão, o desconforto materno pode gerar estresse. O ideal é realizar o remolho dos grãos antes do cozimento para facilitar a digestão.

Quanto tempo depois de a mãe comer o alimento o bebê sente cólica?

Geralmente, as proteínas e substâncias dos alimentos consumidos pela mãe podem aparecer no leite materno entre 2 a 6 horas após a ingestão, podendo persistir por mais tempo dependendo do metabolismo materno.

Como diferenciar a cólica fisiológica de uma alergia alimentar?

A cólica fisiológica comum costuma melhorar com massagens, calor local e colo, ocorrendo principalmente no fim da tarde ou início da noite, sem outros sintomas. Já a alergia alimentar (como a APLV) costuma vir acompanhada de pele irritada, refluxo excessivo, fezes com sangue ou muco, e baixo ganho de peso. Em qualquer sinal de alerta, procure o pediatra imediatamente para avaliação diagnóstica.

Lembre-se sempre de que as cólicas fazem parte de uma fase passageira do desenvolvimento infantil. Com paciência, acolhimento e uma alimentação equilibrada, você e seu bebê passarão por esse período com muito mais leveza. Se notar qualquer alteração persistente no comportamento do pequeno, não hesite em consultar o pediatra de sua confiança.

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Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra ou do obstetra. Em caso de dúvida sobre a saúde do seu bebê ou a sua, procure o profissional que acompanha a família.

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