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Cólica no bebê e alimentação da mãe: mito ou realidade?

21 de agosto de 2026 8 min de leitura Por Grão de Gente

Afinal, a cólica no bebê pode ser causada pela alimentação da mãe?

Quem tem um recém-nascido em casa sabe que o choro da cólica é um dos momentos mais desafiadores da rotina familiar. No final da tarde ou início da noite, o bebê começa a se espremer, fica com o rosto vermelho, encolhe as perninhas e chora de forma inconsolável. Nesse cenário, é muito comum que a mãe seja bombardeada com palpites e conselhos, quase sempre apontando o dedo para o seu prato: "Você comeu feijão?", "Foi o chocolate de ontem?", "O brócolis deu gases no bebê".

Diante de tanta pressão, a culpa materna costuma dar as caras. Mas será que a cólica no bebê pode ser causada pela alimentação da mãe [mito ou realidade?]? Nós, da equipe editorial da Grão de Gente — com mais de 12 anos de experiência acompanhando a rotina e o enxoval de milhares de famílias —, preparamos este guia prático e acolhedor para desmistificar o assunto, trazer respostas científicas e ajudar você a enfrentar essa fase com muito mais leveza e segurança.

Mito ou realidade? O veredito da ciência

Indo direto ao ponto: na imensa maioria dos casos, a ideia de que a alimentação da mãe causa cólica no bebê é um mito.

As pesquisas científicas e as principais entidades de pediatria, como a Sociedade Brasileira de Pediatria, apontam que não há uma relação direta de causa e efeito entre a dieta geral da mãe que amamenta e as crises de cólica do recém-nascido. O leite materno é produzido a partir do sangue da mãe, e não diretamente do conteúdo que está no estômago dela. Isso significa que os gases gerados pela digestão da mãe na digestão de alimentos como feijão ou repolho não passam para o leite materno e, portanto, não se transformam em gases no bebê.

No entanto, existe uma pequena margem de realidade parcial que envolve proteínas específicas que podem atravessar a barreira mamária. O exemplo mais comum é a proteína do leite de vaca. Se o bebê tiver uma sensibilidade ou a chamada Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), a ingestão de laticínios pela mãe pode, sim, provocar sintomas gastrointestinais na criança, que muitas vezes são confundidos com a cólica comum. Se você notar que o desconforto é extremo e persistente, procure o pediatra para uma avaliação individualizada.

O que realmente causa a cólica no recém-nascido?

Se não é a alimentação da mãe, por que os bebês sentem tanta cólica? A resposta está na própria fisiologia do desenvolvimento infantil. A cólica é considerada um processo natural de adaptação do bebê ao mundo fora do útero. Desde a época em que você acompanhava a gestação na gravidez semana a semana, o bebê recebia todos os nutrientes de forma passiva pelo cordão umbilical. Ao nascer, o sistema digestivo precisa começar a funcionar do zero.

Entre as principais causas reais da cólica, destacam-se:

  • Imaturidade do sistema digestivo: O intestino do bebê ainda está aprendendo a digerir o leite (seja ele materno ou fórmula) e a realizar os movimentos de contração (peristaltismo) necessários para eliminar gases e fezes.
  • Incoordenação motora: O bebê muitas vezes contrai o esfíncter anal ao mesmo tempo em que faz força para evacuar ou soltar gases, o que gera desconforto físico.
  • Deglutição de ar: Quando o bebê mama com a pega incorreta, ele acaba engolindo muito ar (aerofagia), o que aumenta a produção de gases e as dores abdominais.
  • Estímulos externos em excesso: No fim do dia, o sistema nervoso do bebê, que também está em amadurecimento, fica sobrecarregado de estímulos (luzes, sons, colos diferentes), o que pode se manifestar em forma de choro tenso e cólicas.

O papel do leite de vaca e das alergias alimentares

Embora a restrição alimentar severa e sem orientação não seja recomendada pelo Ministério da Saúde, é preciso atenção especial ao consumo de derivados de leite de vaca. Estudos mostram que frações da proteína beta-lactoglobulina (presente no leite bovino consumido pela mãe) podem passar para o leite humano e causar irritabilidade e cólicas intensas em bebês predispostos.

Se houver suspeita de que o bebê reage a algum alimento ingerido por você, o caminho correto nunca é fazer dietas restritivas por conta própria, pois isso pode comprometer a sua saúde e a produção de leite. O ideal é manter um acompanhamento rigoroso e, caso necessário, sob orientação do especialista, realizar um teste de exclusão temporária para avaliar a melhora dos sintomas.

Alimentos "vilões": feijão, brócolis, chocolate e café

A sabedoria popular costuma listar uma série de alimentos que devem ser banidos do prato da lactante. Vamos analisar o que há de verdade sobre eles:

  • Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico): Embora causem gases na mãe devido à fermentação das fibras no intestino materno, essas fibras não passam para a corrente sanguínea e não chegam ao leite. Portanto, o feijão está liberado!
  • Crucíferas (brócolis, repolho, couve-flor): Seguem a mesma regra do feijão. São alimentos extremamente nutritivos e importantes para a recuperação pós-parto da mãe, não devendo ser retirados sem necessidade.
  • Café e cafeína: A cafeína passa para o leite materno em pequenas quantidades. O consumo excessivo (mais de duas ou três xícaras de café expresso por dia) pode deixar o bebê mais agitado e dificultar o sono, o que pode aumentar a percepção de desconforto e irritabilidade. A moderação é a chave.
  • Chocolate: Contém substâncias estimulantes semelhantes à cafeína e, em excesso, pode deixar o bebê desperto. Consumido com moderação, raramente causa problemas.

Dicas práticas para aliviar as cólicas e trazer conforto

Agora que você já sabe que a culpa não é do seu prato, o foco deve ser em ações práticas para aliviar o desconforto físico do bebê e organizar uma rotina mais acolhedora. O conforto físico do pequeno é fundamental nessa fase de adaptação.

Para garantir que o bebê fique calmo durante as mamadas e evitar que ele se molhe e sinta frio com o leite que pode escapar, o uso de um babador bebê de tecido macio ajuda a manter o peito seco. Além disso, vestir o pequeno com roupas de bebê confortáveis, feitas de tecidos naturais e respiráveis, como um body de algodão, evita que elásticos ou costuras grossas apertem a barriguinha já dolorida.

Aqui estão algumas medidas eficazes para os momentos de crise:

  • Faça massagens preventivas: Movimentos circulares suaves na barriga do bebê (no sentido horário) e o movimento de "bicicleta" com as perninhas ajudam a eliminar os gases acumulados. Faça isso nos momentos em que ele estiver calmo, e não durante o choro intenso.
  • Use o calor local: Bolsas térmicas mornas (sempre testando a temperatura na pele da sua mão para evitar queimaduras) ou o contato pele a pele com o peito do pai ou da mãe ajudam a relaxar a musculatura abdominal do bebê.
  • Banho de ofurô ou banheira morna: A água quentinha remete ao ambiente uterino e relaxa o corpo do recém-nascido de forma quase imediata.
  • Ajuste a pega na amamentação: Certifique-se de que a boca do bebê esteja bem aberta, abocanhando a maior parte da aréola e não apenas o bico do peito, o que reduz drasticamente a entrada de ar.
  • Mantenha a calma: O bebê sente a tensão do ambiente. Se você estiver muito exausta ou nervosa, reveze o colo com o parceiro ou um familiar para manter o ambiente o mais sereno possível.

Perguntas frequentes

O feijão que a mãe come realmente dá gases no bebê?

Não. Os gases do feijão são causados pela fermentação das fibras no intestino da mãe. Como essas fibras não entram na corrente sanguínea, elas não passam para o leite materno e não geram gases no recém-nascido.

Quanto tempo dura a fase das cólicas no bebê?

As cólicas costumam começar por volta da segunda ou terceira semana de vida, atingem o pico por volta do segundo mês e costumam desaparecer naturalmente por volta do terceiro ou quarto mês, com o amadurecimento do sistema digestivo.

Existe algum exame para saber se a cólica é intolerância ao leite?

O diagnóstico de sensibilidade ou alergia alimentar (como a APLV) em bebês pequenos é essencialmente clínico. O pediatra avaliará o conjunto de sintomas (como sangue nas fezes, ganho de peso inadequado e assaduras severas) e poderá sugerir um teste de exclusão de proteínas lácteas da dieta materna.

Cuidar do seu bem-estar físico e emocional é o passo mais importante para garantir uma amamentação tranquila e prazerosa. Lembre-se de manter uma alimentação variada, rica em nutrientes e com excelente hidratação diária. E, para garantir que seu pequeno passe por essa fase com o máximo de aconchego, que tal preparar o enxoval com peças pensadas exclusivamente para o bem-estar dele? Conheça nossa seleção especial de roupas de bebê confeccionadas em tecidos extremamente macios para acolher e proteger quem você mais ama nos momentos que mais importam.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra ou do obstetra. Em caso de dúvida sobre a saúde do seu bebê ou a sua, procure o profissional que acompanha a família.

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